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Emolduraram na escola um poema meu sobre o chafariz. Fez-se uma inauguração e eu li o poema em voz alta.
Aos 9 pedi uma máquina fotográfica instantânea e cortei uma fotografia para estudar as cores primárias. Quis aprender inglês mas ninguém me deixou, então aos 10 desforrei-me, e num ano aprendi todo o inglês que consegui. Decidi compilar todos os meus poemas e escrevi a minha primeira história para publicar. Comecei a gerir a minha mesada e a participar na minha vida económica activamente. Aos 11 disseram-me que era faladora e irrequieta e tinha de me sentar sozinha na sala. Aos 12 já me vestia como gente grande e os meus blasers e saias de pregas, faziam furor em qualquer festa. Fazia coreografias para as danças da escola, gostava de fazer de rapaz nos teatros e tocava xilofóne no Natal. Aos 13 relatava todas as visitas de estudo no meu bloco de notas e tinha uma "Montecampo" com papagaios. Esfolava os joelhos praticamente todas as semanas e comecei a não gostar de ter pêlos nas pernas. Aos 14 tinha pressa de crescer. Descobri que sabia pintar muito bem e comecei a pintar quadros. Adorava física e geografia e fazia os trabalhos de inglês de metade da turma. Aos 15 escrevi a peça de Carnaval para caricaturar cada professor e as irmãs do colégio e surpreendentemente, correu às mil maravilhas. Escolhi uma escola sozinha e deixei as amigas do coração. Passei do mundo resguardado para o mundo real e descobri que os miudos fumavam, bebiam e não levavam os livros na mochila, como eu.
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